Com a presença dos secretários de Desenvolvimento de Campos, Macaé, São João da Barra, Cardoso Moreira e Carapebus, ao lado de dezenas de empresários da região, a Firjan Norte Fluminense realizou uma reunião on-line na qual apresentou os desafios econômicos e alguns caminhos para a recuperação da economia. Com uma série de dados sobre a atual situação, o gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Jonathas Goulart, destacou a necessidade de reformas tributárias e administrativas.

“O encontro foi muito proveitoso por reunir vários secretários da região em torno de soluções para as crises econômica e social em que vivemos, provocadas pela emergência sanitária. Os municípios têm vários pleitos em comum em prol do desenvolvimento regional, e mais do que nunca é preciso a união de todos para conseguirmos fazer essa travessia”, disse o presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira.

Com o tema “Cenário Econômico do Brasil e do Rio e as perspectivas para 2021”, Jonathas Goulart mostrou dados sobre o aumento das despesas e a diminuição das receitas no Governo Federal, que acabam influenciando a inflação, a taxa de juros e por consequência, as gestões estaduais, municipais e empresariais. Em dezembro de 2019, as despesas estavam em 19,3% contra 18,1% das receitas, diferença que em dezembro de 2020, por conta da pandemia, atingiu a marca histórica de 26,1% contra 16,2%, respectivamente. Com isso, o nível de endividamento já atinge quase 100% do PIB nacional (98,1%).

“Hoje a atividade econômica mostra sinais de recuperação, só que os efeitos da segunda onda da pandemia e a velocidade da imunização são determinantes para o crescimento em 2021. Mas acima de tudo, qualquer tipo de política que vai aumentar a credibilidade do investidor passa pelo equilíbrio das contas públicas”, disse Jonathas.

Diante dos dados, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Campos, Marcelo Mérida, falou do suposto paradoxo entre diminuir os gastos sem aumentar as despesas, classificando o momento atual como um cenário de pós-guerra. Jonathas Goulart disse que não há outra saída.

“O gasto público é o calcanhar de Aquiles da política econômica, mas não há alternativa a não ser reformas estruturais que diminuam as despesas em todas as esferas de governo. Não se trata de diminuir gastos com servidor, mas de aumentar a eficiência do governo. Estamos num mundo que mudou completamente com a tecnologia, e o poder público não consegue se adaptar a esse novo mundo para ter um gasto mais eficiente”, concluiu.

O secretário adjunto de Políticas Energéticas de Macaé, Juninho Luna, disse que também será preciso discutir o pacto federativo e a redistribuição de receitas aos municípios, o que veio ao encontro do especialista da Firjan. Também presentes à reunião, o subsecretario de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico de São João da Barra, Marcelino Souza, a secretária de Planejamento e Desenvolvimento Econômico de Carapebus, Verônica Moraes, e o secretário de Planejamento de Cardoso Moreira, Aétio Lança, destacaram que o momento é de união para superar a crise e buscar parcerias para investimentos, tendo em vista o Marco Legal do Gás que já vem movimentando o mercado da região.

Outro destaque entre os secretários foi a necessidade de melhorias em infraestrutura, como a construção da EF-118 (ferrovia que vai ligar o Espírito Santo à Região Metropolitana do Rio, passando pela região) e a RJ-244 (entre o Porto do Açu e Ururaí, em Campos). Ambas, assim como o Marco Legal do Gás, são pleitos da Firjan presentes no Mapa do Desenvolvimento, lançado em 2016 com a participação de mais de 1 mil empresários e especialistas em diversas áreas.

 

Felipe Sáles

Assessor de Imprensa