O Movimento Rio de Mãos Dadas, iniciativa do Sistema Fecomércio RJ (Sesc e Senac RJ), que acontece desde janeiro de 2021 e vem mobilizando entidades públicas, privadas e a sociedade para impulsionar o ano de 2021, chega a uma nova etapa com o leilão das dez esculturas que simbolizam a iniciativa. As Mãos Gigantes, que estiveram expostas em mais de 50 pontos da capital e interior do estado do Rio de Janeiro, serão leiloadas no dia 2 de dezembro e o valor arrecadado será destinado a dez instituições filantrópicas que atuam em diferentes âmbitos sociais.

O lance inicial de cada escultura está fixado em R$ 2 mil e os participantes poderão realizar suas ofertas de maneira remota ou presencial, durante o leilão que terá a atriz Marisa Orth como mestre de cerimônias. Para realizar os lances remotamente, é preciso cadastrar-se previamente na plataforma virtual do leilão. O edital que contém todas as diretrizes está disponível em www.sescrio.org.br, na seção Portal de Compras.

Este leilão culmina o trabalho realizado ao longo de um ano, que incluiu uma série de iniciativas, desde mentorias gratuitas para empresários, projetos de empoderamento feminino e combate ao trabalho infantil e doações de alimentos. Cada iniciativa deu corpo a um grande projeto de mobilização da sociedade e entes públicos e privados para tornar 2021 um ano de retomada e mostrar que juntos, de mãos dadas, somos capazes de conquistas muito maiores. Além de símbolo dessa união, o valor agora arrecadado com a venda das esculturas será um aporte importante para instituições que trabalham combatendo a vulnerabilidade social e ajudando a tornar nossa sociedade mais justa e igualitária”, celebra Antonio Florencio de Queiroz Junior, presidente do Sistema Fecomércio RJ.

As esculturas de mais de 2 metros de altura, em formato de pares de mãos, representam a superação das dificuldades de 2020 e a esperança de retomada da normalidade em 2021. Confeccionadas em fibra de vidro, as mãos foram trabalhadas por dez artistas: Agrade Camíz, Bruno Awful, Cláudia Lyrio, Igor Nunes, Loo Stavale, Márcia Falcão, Maria Amélia Diegues, Mario Band´s, Robnei Bonifácio e Yhuri Cruz.

Sobre as obras e os artistas

Obra: A VIDA PRESENTE

Conceito: obra intitulada a partir do último verso do poema “Mãos Dadas”, de Carlos Drummond de Andrade.

Material: pintura mista

Artista: Cláudia Lyrio – a artista natural do Rio de Janeiro, pesquisa o ciclo da vida e a natureza em uma narrativa onde a paisagem emerge como protagonista e o pensamento da cor é um dos eixos de significado. É formada em Pintura e Letras (ambas pela UFRJ), tem Especialização em História da Arte e Arquitetura no Brasil (PUC-Rio) e Mestrado em Literatura Brasileira (UFRJ).

Obra: FUGA E FÚRIA

Conceito: inspirado nos estudos de quiromancia, reflexologia e mapa das mãos para traçar paralelos com historiografias e subjetividades afro-diaspóricas.

Material: pintura mista

Artista: Yhuri Cruz – artista visual e escritor, nascido em Olaria, no RJ, em uma família de matriz afro-brasileira. Seu trabalho consiste em promover a intersecção entre sua herança ética e estética familiar, anticolonialidades e esferas privilegiadas e transgressoras do campo artístico. Desenvolve sua prática a partir de criações textuais, visuais e proposições instalativas e performativas, que dialogam com sistemas de poder, crítica institucional, relações de opressão, encenações de cura, resgates subjetivos e violências sociais reprimidas ou não resolvidas.

Obra:  CULTURA DA BORDA NA PALMA DA MÃO
Conceito: A pintura será feita de tal maneira que no momento do encontro das mãos, os casais “dancem” unindo essas duas potências culturais tão marcantes para os movimentos negros da cidade, trazendo a ideia de união e harmonia pela cultura.
Material: pintura acrílica e resina
Artista: Márcia Falcão – artista plástica graduada em Pintura pela UFRJ. Um dos temas recorrentes em seus trabalhos tem sido a problemática feminina vista através de experiências pessoais tendo o Rio de Janeiro como cenário, ora belo e poético, ora violento e assustador. Passeando pelo grotesco assume a linguagem figurativa como meio para transmitir críticas à contemporaneidade.

Obra: CUIDA

Conceito: mãos pintadas de preto, com a palavra “você” pintada de branco nas palmas e na parte de fora das duas mãos.

Material: pintura em spray

Artista: Agrade Camíz (Camila) – cresceu no conjunto habitacional IAPC, localizado às margens da favela do Jacaré na Zona Norte carioca e produz intervenções na rua há 9 anos, pintando murais, grafites, passando inicialmente pela pichação. Atualmente desenvolve pesquisa sobre estética do subúrbio do Rio de Janeiro, utilizando expressões, formas e signos da cultura local e da habitação popular.

Obra: NAS NOSSAS MÃOS

Conceito: representação da beleza natureza através da flora e fauna marinha e terrestre, e na responsabilidade que temos com o Planeta.

Material: pintura mista

Artista: Maria Amélia Diegues – formada em Paisagismo pela escola de Belas Artes da UFRJ, transita por diversas técnicas, algumas artesanais como aquarela, lápis de cor, serigrafia, assim como em computação gráfica. Seu trabalho é colorido e de formas orgânicas ligadas à natureza como flores, vegetais e animais. Influência da sua formação original e de sua vivência com as coisas da cozinha e confeitaria muito presentes em sua vida.

Obra: MANIFESTO PÓS-VANDALISMO

Conceito: envelopamento das “mãos” por meio de uma grade de ferro, cortada na altura dos dedos e um pouco na base, transmitindo uma ideia de rompimento, de quebra de ordem.

Material: pintura mista

Artista: Igor Nunes – graduado em Design Gráfico pela ESPM, no Rio de Janeiro, e em Pintura e Desenho, pela A.R.C.O., em Lisboa, Portugal. Integrou diversas exposições coletivas nos dois países. Em 2015 ganhou o prêmio SpoletoArtRua e em 2020 pintou um mural em um antigo armazém tombado na Zona Portuária do Rio. O artista investiga o que há para além do muro, explora o espaço urbano, questões relacionadas à subversividade, a quebra de ordens pré-estabelecidas, o deslocamento geográfico e a crítica social.

 

Obra: FEITO COM CARINHO
Conceito: projeto que debruça o olhar sobre os impressos que permeiam o cotidiano coletivo, relembrando os passeios na praça, as festas de rua, os parques de diversão itinerantes.
Material: pintura acrílica
Artista: Loo Stavale – artista, mestranda em Processos Artísticos Contemporâneos pela UERJ, bacharel em Gravura pela Escola de Belas Artes/UFRJ.  Participou de ações e exposições como ArtRua – Mostra de Arte Urbana, ocupação periódica do muro do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Boreart, Sesc Tijuca e Festival de Inverno no Sesc Teresópolis, Deu na Telha no Complexo do Alemão, CMHO, entre outras.

Obra: HINTERLÂNDIA É O CENTRO

Conceito: “Com as cores da bandeira da cidade do Rio de Janeiro, usarei os nomes de diferentes bairros para comentar sobre zonas da cidade que até têm algum contato, mas nem sempre se encontram.”

Material: pintura acrílica

Artista: Robnei Bonifácio –  Formado em Gravura pela Escola de Belas Artes da UFRJ e mestre em Linguagens Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRJ, vive, trabalha e transita entre Rio e Nova Iguaçu. Em seu trabalho investiga maneiras de dialogar com espaço urbano por meio de desenhos, pinturas, propostas educativas e intersociais, abordando o subúrbio como território central para a produção de afetos.

 

Obra: FLUXOS

Conceito: Coração; Raízes; Olhos (mãos que tocam, suportam, apoiam; olhos que veem, observam, cuidam; raízes que fincam, procuram, firmam-se).

Material: pintura mista

Artista: Bruno Awful – graduando em Artes Visuais pela UERJ, desenvolve uma produção visual que formaliza seu olhar sobre relações de fissuras entre cidade, humanidade, corpo e poder em artifícios visuais viscerais, por meio da pintura, gravura e da produção de objetos.

 

Obra: COADUNAÇÃO

Conceito: “O que vemos dentro das mãos, na sucessão de formas encaixadas, é uma espécie de “janela abstrata” que remete às profundezas que possam habitar a interioridade destas mãos.”

Material: pintura mista

Artista: Mario Band´s – indicado ao Prêmio Pipa 2017, realiza obras marcadas pelo intenso uso da geometria e precisão no trabalho das cores, luzes e sombras. Utiliza a técnica do grafite para deslocar elementos, atrair, confundir e trair o olhar do espectador com a inserção de novas formas, nos diversos suportes que utiliza.